Obrigado, Gonçalo!
Portugal passa a Croácia com exibição bíblica de Diogo Costa e golo decisivo de Gonçalo Ramos, que aparentemente pode jogar sozinho na frente e resolver jogos.
Meia-noite em Portugal, sete da tarde em Toronto. Portugal enfrentou a Croácia, em jogo a contar para os 16-avos de final do Mundial 2026. Era o primeiro jogo do “segundo” Mundial, como lhe chamou Roberto Martínez, e, nos minutos iniciais, a Seleção pareceu mesmo uma equipa renovada. João Neves e Rafael Leão regressaram ao onze, e o corredor esquerdo ganhou imediatamente outra vida.
Portugal entrou melhor, assumiu o controlo da partida e empurrou a Croácia para junto da sua área. Os croatas apresentaram-se defensivamente num 5-4-1 muito compacto, fechando os espaços interiores e obrigando a Seleção a procurar soluções pelos corredores, tal como o onze indicava. Foi precisamente por aí que surgiram os principais desequilíbrios, através de Rafael Leão e Nuno Mendes, enquanto Vitinha comandava a circulação de bola.
A superioridade portuguesa acabou por se traduzir em algumas oportunidades, mas a Croácia resistiu graças à sua consistência defensiva. Cristiano Ronaldo baixou várias vezes no terreno para participar na construção, deixando a área menos ocupada nos momentos de cruzamento, e Portugal foi perdendo alguma presença na zona de finalização. Ainda assim, a sensação ao intervalo era clara: Portugal tinha sido a equipa mais competente e ambiciosa da primeira parte. Faltou apenas maior eficácia no último terço para que a superioridade exibicional se refletisse no marcador.
A segunda parte, no entanto, trouxe uma Croácia diferente. A equipa de Zlatko Dalić subiu as linhas, pressionou com mais agressividade e passou a chegar com maior facilidade à baliza portuguesa. Aos 53 minutos, Ivan Perisic inaugurou o marcador na sequência de um cruzamento para a área, num lance em que Rafael Leão demorou a acompanhar, Nuno Mendes não ajustou a marcação e João Cancelo ficou muito mal na fotografia. Logo a seguir, os croatas voltaram a marcar, mas o golo foi anulado por fora de jogo. Bem organizada, móvel e sempre capaz de encontrar soluções por dentro, a Croácia só parecia limitada quando era obrigada a explorar a profundidade, onde lhe faltava velocidade.
Portugal respondeu pouco depois. Rafael Leão acertou na barra e, na sequência de um canto, Renato Veiga foi derrubado por Vlasic na área. Cristiano Ronaldo não desperdiçou a grande penalidade e restabeleceu a igualdade quando ainda faltavam cerca de 25 minutos para o fim. O primeiro golo do português em fases a eliminar, ao fim de longos 20 anos.
O empate, porém, não trouxe tranquilidade à Seleção. Pelo contrário. Portugal perdeu o controlo da partida, permitindo à Croácia assumir novamente a iniciativa. Aos 80 minutos, Roberto Martínez retirou Cristiano Ronaldo pela primeira vez neste Mundial, o que recebe uma nota de destaque.
Quando tudo apontava para o prolongamento, surgiu Gonçalo Ramos, o avançado que a Seleção mais necessitava. Já nos descontos, Rafael Leão cruzou com precisão para o avançado do AC Milan, que apareceu na área para cabecear para o 2-1. Um final feliz para um avançado que continua a confirmar o excelente momento sempre que é chamado por Roberto Martínez.
A Croácia ainda voltou a introduzir a bola na baliza aos 90+14, mas, tal como já tinha acontecido antes, o lance foi invalidado por fora de jogo, o terceiro golo anulado da noite aos croatas.
Portugal sofreu até ao último segundo, venceu com uma dose de sofrimento e alguma estrelinha, mas garantiu o apuramento para os oitavos de final, onde terá pela frente a Espanha. Vem aí Lamine e companhia.
João Pinto
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